Travessia Petro x Tere

No dia 25 completei mais uma travessia Petro x Tere e, conforme todas as outras, jurei a mim mesmo que seria a última, principalmente ao chegar na barragem, pois, não obstante a falência múltipla dos órgãos – os meus; não os da serra -, ainda havia a caminhada até a portaria e dali até a pracinha do alto. Daí pra frente é luxo e conforto que não vale a pena mencionar.

Há, porém, um fenômeno a ser registrado. Podem acreditar em mim. Lá vai: nunca fiquei tão cansado. A subida até o Queijo, Ajax e Isabeloca, há dada altura, tornou-se uma tortura. O sol estava abrasador, parecia verão, e a subida me trouxe à mente aquela famosa frase comum a muitos montanhistas (pelo menos uma vez): “o que  que eu estou fazendo aqui, PQP… ”. Mas, como estava me guiando pelo tempo,  contemporizei com os meus pulmões e joelhos e fixei 12h para chegar no Açu  (comecei a caminhar às 8h50). Surpreendentemente, às 11h30 passei no Açu e segui adiante.

A meta, agora, seria chegar ao Sino por volta das 15h/16h. A ideia inicial era fazer tudo, portaria – portaria em 10h, ou seja, chegar em Tere no máximo às 19h. Assim sendo, meti o pé. Mas como dito antes, nunca me senti tão cansado. Parei muitas vezes para respirar de cabeça baixa, senti muitas cãimbras devido ao ácido lático (ou seria o kachassico?) nas pernas. Durante o percurso, nesse segundo terço da caminhada, passei por hordas de visitantes da montanha e, minha maior preocupação seria encontrar engarrafamentos nos pontos críticos. Dito e feito.

No buraco, antes da subida do Sino, consegui ultrapassar uns dez quando ainda  colocavam as cordas , mas, a realidade se mostrou logo ao chegar no Cavalinho. Havia, seguramente, umas trinta almas penadas tentando ultrapassar esse obstáculo com suas mochilas cargueiras, cordas, bastões etc… Enquanto se discutia o movimento antropofágico da Semana de Arte Moderna de 1922, passei reto pela esquerda (não  recomendo) e, lépido e fagueiro, encontrei outros 30 em fila indiana à frente. Na base do “dá licença e “faz favô”, passei reto também.

Felizmente, na escada só encontrei uma alma penada (até rimou) desejando que o Abrigo 4 fosse logo ali. Eu menti para ela, mas não sinto nenhum remorso no coração. E aí, no “cambio de pendiente” olhei o relógio: 14h30. Se eu tivesse um espelho naquela hora, teria olhado para mim mesmo e dito: “Mandou bem, mané, 3h Açu-Sino”. Bom, agora só falta a descida até a Barragem.

Como era inevitável, relaxei e fui. Resultado, 17h na Barragem e, mais meia horita até a portaria. Completei o percurso em 8h40. E eis aí o paradoxo: meu melhor tempo de travessia, ainda jovem com 47 anos, foi de 8h30 e, agora, fiz com mais 10 minutos. “Durma com um barulho desses!”

Assim foi. Desculpem a quantidade de letras. E, conforme prometido, nunca mais faço isso …. neste mês.

Luiz Alberto Correia

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