{"id":130,"date":"2011-07-21T23:45:09","date_gmt":"2011-07-22T03:15:09","guid":{"rendered":"http:\/\/ceguanabara.wordpress.com\/?p=130"},"modified":"2011-07-21T23:45:09","modified_gmt":"2011-07-22T03:15:09","slug":"chamine-giuseppe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guanabara.org.br\/index.php\/2011\/07\/21\/chamine-giuseppe\/","title":{"rendered":"Chamin\u00e9 Giuseppe Pellegrini \u2013 Pico Menor de Friburgo (\u00b1 2.350m)"},"content":{"rendered":"<p>Aconteceu tudo muito r\u00e1pido. Na verdade n\u00e3o esperava fazer esta maravilhosa escalada (na realidade nem imaginava). Ent\u00e3o recebo um telefonema do Sr. Francesco Castagnaro (Playboy), para informar que ele iria para Salinas, chegando na sexta-feira e que eu reservasse o seu lugar no Mascarin (Rep\u00fablica Tr\u00eas Picos). Completando, me convidou para fazer a Chamin\u00e9 Pellegrini.<\/p>\n<p>Na hora topei, mas sem muita no\u00e7\u00e3o do que se tratava, e na condi\u00e7\u00e3o dele guiar, afinal n\u00e3o tinha ideia da escalada. Mas me conhe\u00e7o bem e sei que partindo do Play, n\u00e3o guiaria nada que ele me convidasse. Na realidade ele adorou saber que guiaria tudo. Logo em seguida liguei pro Flavinho, pois ele estava querendo fazer a leste comigo e eu n\u00e3o tinha confirmado nada com ele ainda, ent\u00e3o marquei a leste com o Flavio na quinta, descanso na sexta e no s\u00e1bado escalaria com o Play.<\/p>\n<p>Fui para a internet atr\u00e1s do croqui da via e imprimi os dois dispon\u00edveis no site da FEMERJ. Chegando em casa comparei com o croqui do guia de Salinas e, para minha surpresa, as gradua\u00e7\u00f5es eram bem diferentes: no croqui original 5\u00ba IIIsup A1 &#8211; at\u00e9 ent\u00e3o estava tranq\u00fcilo; no livro, 6\u00ba VI A1 E3 D4, a\u00ed j\u00e1 fiquei preocupado. Mas, como era o Play que iria guiar, ent\u00e3o estava tranq\u00fcilo tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Na quarta \u00e0 tarde parti para Salinas, chegando na Rep\u00fablica Tr\u00eas Picos por volta das 20h30. Eu e Flavio separamos o material para escalar no dia seguinte, com alvorada marcada para \u00e0s 05h30 e sa\u00edda \u00e0s 06h. Resumindo, sa\u00edmos \u00e0s 06h10. Chegamos na base \u00e0s 07h10; na primeira chamin\u00e9 \u00e0s 08h45; no cume \u00e0s 13h50 e no Mascarin \u00e0s 17h. Rapelando pela Sylvio Mendes em duas horas. Vale lembrar que o Flavio n\u00e3o pisava naquele cume havia mais de quinze anos. Nossa primeira Leste foi em mar\u00e7o de 1996. Parab\u00e9ns velhinho.<\/p>\n<p>Bom, na sexta o dia era de descanso, afinal no s\u00e1bado tinha me comprometido com o Play. Ent\u00e3o fui para a Cabe\u00e7a do Drag\u00e3o com a Ana Clara, Irini, Flavinho, Schmidt, Bacellar, Julia e Mascarin. Tamb\u00e9m nos acompanhou uma fam\u00edlia de Jundia\u00ed-SP (Giba, sua esposa M\u00aa Pia, seus dois filhos Caio, com a namorada Fernanda e Lucas &#8211; uma m\u00e3o na roda este moleque aparecer por l\u00e1, da idade da Ana Clara).<\/p>\n<p>Retornamos ao ref\u00fagio e, no fundo, no fundo, at\u00e9 aquele momento ainda n\u00e3o acreditava que o Play aparecesse. Mas n\u00e3o \u00e9 que o cara chegou no finalzinho do dia! Tomamos umas cervejas e separamos o material. Neste momento o Boris se empolgou, mas desistiu logo quando soube que a alvorada estava marcada para as 05h30. Na realidade, se eu soubesse do perrengue teria marcado para as 04h30.<\/p>\n<p>Acordamos como planejado, tomamos caf\u00e9 e partimos para a escalada. Eu j\u00e1 tinha feito a caminhada do Pico Menor, ou seja, o retorno estava garantido seja qual fosse a hora que ating\u00edssemos o cume, o que valeu tamb\u00e9m para achar a base, ou quase.<\/p>\n<p>Pensamos em deixar algum material na base, para subir apenas com uma mochila. A \u00fanica coisa que poder\u00edamos deixar eram os cal\u00e7ados, pois todo o restante poder\u00edamos precisar em algum momento. Ent\u00e3o resolvemos levar tudo, j\u00e1 que a descida era pela caminhada e nenhum do dois queria caminhar com bota de escalada.<\/p>\n<p>Arrumamos-nos e o Play come\u00e7ou a guiar. Vai para um lado, vai para o outro, roda pra l\u00e1, roda pra c\u00e1, acho que \u00e9 por aqui, pode ser por ali, este neg\u00f3cio t\u00e1 esquisito, n\u00e3o vejo nada, enfim ele toma a decis\u00e3o de tocar por ali mesmo.<\/p>\n<p>Ele subiu e me puxou ap\u00f3s ter esticado aproximadamente 50m de corda, quando cheguei at\u00e9 ele comentei: \u201cCara se for tudo assim estou fora, vamos descer\u201d. Ent\u00e3o constatamos que t\u00ednhamos errado a base e feito o primeiro estic\u00e3o da via Lacas Loucas, o que nos deixou um pouco mais tranq\u00fcilos, pois daquele ponto avist\u00e1vamos a chamin\u00e9 e a possibilidade de rapelar at\u00e9 ela. Foi o que fizemos. Subimos mais uns 30m e rapelamos at\u00e9 a chamin\u00e9. No fundo foi o melhor que aconteceu, pois o in\u00edcio da chamin\u00e9 \u00e9 muito sujo, muito mato.<\/p>\n<p>Tocamos pra cima at\u00e9 o final da chamin\u00e9 estreita, e neste momento come\u00e7amos a concluir algumas coisas, tais como:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o era nada bom ficar rebocando as mochilas, mesmo rebocando as duas ao mesmo tempo, perd\u00edamos muito tempo;<\/p>\n<p>&#8211; Come\u00e7amos a perceber que os croquis da via, apesar de bem desenhados, n\u00e3o retratavam bem a realidade, ou as coisas mudaram por ali, pois onde era pra ter grampo n\u00e3o tinha. Por vezes dava pra proteger em blocos de pedra entalados;<\/p>\n<p>&#8211; Come\u00e7\u00e1vamos a imaginar porque o Sergio Tartari havia comentado que nunca mais voltaria naquela via.<\/p>\n<p>Toca pra cima. At\u00e9 chegar ao tal \u201cplat\u00f4 de bambu\u201d, \u00e9 muita pedra, muita chamin\u00e9, tem umas passagens muito esquisitas\/sinistras e o caminho n\u00e3o \u00e9 muito \u00f3bvio. No meio da chamin\u00e9 m\u00e9dia encontramos uma fita e um prussik bem velhos num bloco de pedra entalado e a\u00ed dois pensamentos surgiram: ou estamos no caminho certo ou algu\u00e9m utilizou isso para rapelar e sumir daqui. Olh\u00e1vamos para cima e tent\u00e1vamos, decidir para que lado ir. Resolvemos obedecer a l\u00f3gica do croqui que ca\u00eda ligeiramente para a esquerda e que aparentemente o Play achava mais tranq\u00fcilo, pois no final tinha um bloco de pedras onde ele podia se prender (o outro lado visualmente n\u00e3o tinha nada). Foi a decis\u00e3o acertada. Logo ap\u00f3s algumas passadas horizontais sobre abismo e trepa pedras, ao ponto de acharmos que j\u00e1 t\u00ednhamos passado pelo plat\u00f4 de bambu, o Play grita: \u201cAqui \u00e9 o plat\u00f4 de bambu\u201d. Ent\u00e3o pensei: \u201cCarai, f&#8230;. Vamos chegar ao cume \u00e0 noite, falta coisa pra carai\u201d.<\/p>\n<p>Toca pra cima, ou melhor, pro lado. Encaramos uns 45m de horizontal, e quando cheguei at\u00e9 o Play, toquei at\u00e9 o pr\u00f3ximo grampo que estava h\u00e1 quase 15m, ou seja, total de 60m de horizontal. T\u00e1 maluco!!! Tudo bem! Nem era t\u00e3o dif\u00edcil, mas naquela altura do campeonato&#8230; Fala s\u00e9rio.<\/p>\n<p>Toca pra cima. Agora por uma artificial de grampos, chapas de ferro e parafusos, uns 40m de artificial. Neste momento coloquei o anoraque e deixei a lanterna \u00e0 m\u00e3o. Quando chegou minha vez de subir, j\u00e1 estava escuro e fiz a artificial com lanterna. Estava me sentindo bem e cheguei bem r\u00e1pido at\u00e9 o Play, que falou: \u201cCara, vamos achar esta fissura de 6\u00ba e sair fora daqui\u201d. Dei uns tr\u00eas passos e quando olhei pra cima dei de cara com a fissura, que podia ser feita em artificial. Como me sentia bem, falei: \u201cPlay, vou tocar aqui, assim economizamos o tempo de passar toda a corda\u201d. Sim, pois como o play guiou 99% da escalada, sempre que eu chegava at\u00e9 ele, tratava de passar a corda, pois tudo que n\u00e3o quer\u00edamos era perder tempo desembolando corda.<\/p>\n<p>Toca pra cima. Ap\u00f3s a artificial cheguei ao \u201cplat\u00f4 da alegria\u201d que n\u00e3o podia ter um nome melhor. Que felicidade em avistar o cume! Perdemos alguns segundos apreciando o visual com as lanternas desligadas, e o Play tocou um pequeno trecho de trepa mato at\u00e9 o cume, aonde chegamos por volta das 19h15.<\/p>\n<p>Agora! Toca pra baixo! N\u00e3o perdemos tempo no cume, descemos logo at\u00e9 um bloco de pedra que d\u00e1 acesso ao cume pela caminhada, arrumamos as mochilas e iniciamos a caminhada de volta. Por volta das 20h45 est\u00e1vamos chegando \u00e0 Rep\u00fablica Tr\u00eas Picos, cansados, mas muito felizes.<\/p>\n<p>Cervejinha para comemorar que ningu\u00e9m \u00e9 de ferro, um bom banho quente e jantar. Dia perfeito!<\/p>\n<p>Fica registrado o meu agradecimento ao Playboy por mais esta aventura. Valeu Play, at\u00e9 a pr\u00f3xima! Por favor, que n\u00e3o seja chamin\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em><strong>Ivan Azevedo<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aconteceu tudo muito r\u00e1pido. Na verdade n\u00e3o esperava fazer esta maravilhosa escalada (na realidade nem imaginava). Ent\u00e3o recebo um telefonema do Sr. Francesco Castagnaro (Playboy), para informar que ele iria para Salinas, chegando na sexta-feira e que eu reservasse o seu lugar no Mascarin (Rep\u00fablica Tr\u00eas Picos). 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