{"id":488,"date":"2012-05-20T23:01:32","date_gmt":"2012-05-21T02:31:32","guid":{"rendered":"http:\/\/ceguanabara.wordpress.com\/?p=488"},"modified":"2012-05-20T23:01:32","modified_gmt":"2012-05-21T02:31:32","slug":"invasao-feminina-em-2012-o-espirito-do-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guanabara.org.br\/index.php\/2012\/05\/20\/invasao-feminina-em-2012-o-espirito-do-tempo\/","title":{"rendered":"Invas\u00e3o Feminina em 2012: o esp\u00edrito do tempo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/guanabara.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/dsc_7271.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-489\" title=\"foto Carlos Cooper\" src=\"http:\/\/guanabara.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/dsc_7271.jpg\" alt=\"\" width=\"645\" height=\"427\" srcset=\"https:\/\/guanabara.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/dsc_7271.jpg 4928w, https:\/\/guanabara.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/dsc_7271-300x198.jpg 300w, https:\/\/guanabara.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/dsc_7271-1024x678.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 645px) 100vw, 645px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Por diversas raz\u00f5es tenho andado longe do Guanabara, mas para mim, quando chega a Invas\u00e3o Feminina \u00e9 hora de juntar a mulherada e seguir para a pedra. E assim fizemos.<\/p>\n<p>Esse ano a Invas\u00e3o foi em um lindo domingo, 11 de mar\u00e7o.\u00a0 E para o Guanabara, creio que foi um momento especial para mulheres e homens. Apesar de ser bem frequentado e representado na ala feminina, teve um tempo que o mulherio guanabarino n\u00e3o andava mais coladinho na rocha, o que de certa forma refletia o montanhismo como um todo. E tamb\u00e9m, de um modo geral, a forte presen\u00e7a masculina \u00e9 uma das caracter\u00edsticas do nosso esporte. Por\u00e9m j\u00e1 podemos perceber que isto vem mudando bastante. E no CEG n\u00e3o \u00e9 diferente!<\/p>\n<p>A cada ano aumenta o n\u00famero de meninas que escalam juntas na Invas\u00e3o e ao longo do ano. Lembro que na minha primeira Invas\u00e3o, em 2009, fomos umas cinco ou seis. Infelizmente n\u00e3o pude participar em 2010, mas as meninas guanabarinas estavam l\u00e1. Em 2011 fomos dez escaladoras e agora em 2012, fizemos sete cordadas e uma caminhada no Cost\u00e3o. Foram 15 de n\u00f3s escalando ou caminhando, al\u00e9m, claro, das agregadas que apareceram para colorir ainda mais o Coloridos.<\/p>\n<p>Para mim a Invas\u00e3o Feminina \u00e9 o evento do montanhismo carioca. N\u00e3o que os outros eventos n\u00e3o tenham import\u00e2ncia; pelo contr\u00e1rio. Neste ano tivemos a Semana Brasileira de Montanhismo (SBM), que certamente ser\u00e1 um marco no montanhismo brasileiro. Estou falando de uma import\u00e2ncia subjetiva: \u00e9 a minha opini\u00e3o mesmo! Para mim este \u00e9 o evento mais divertido e emocionante de todos. E apesar de ser uma festa de celebra\u00e7\u00e3o da mulher, os homens tamb\u00e9m podem e devem participar. Pelo que conhe\u00e7o da hist\u00f3ria do evento, desde o in\u00edcio h\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o dos \u201cmeninos\u201d, que usam perucas, \u201cmudam\u201d de nome, vestem saias, n\u00e3o para se travestirem, mas para curtirem o esp\u00edrito do evento. Amigos, namorados, filhos, maridos est\u00e3o l\u00e1 conosco, naquilo que eu considero que deva ser o esp\u00edrito da igualdade entre os g\u00eaneros: mulheres em seu momento especial, em seu momento de assumir a primeira posi\u00e7\u00e3o e com \u201cseus homens queridos\u201d apoiando, dando aquela for\u00e7a, que \u00e0s vezes \u00e9 por serem os guias, \u00e0s vezes por serem os guiados. Com isto n\u00e3o quero dizer que a posi\u00e7\u00e3o de destaque \u00e9 sempre da mulher. Ao contr\u00e1rio: acho este um exemplo de como n\u00f3s mulheres tamb\u00e9m devemos estar dispostas a apoiar nossos amigos, maridos, namorados, filhos e, cong\u00eaneres quando o momento de brilhar for deles. Ali\u00e1s, acho que o esp\u00edrito verdadeiro s\u00e3o homens e mulheres apoiando uns aos outros, sempre que for preciso, sem medo e conscientes de que mesmo com nossas diferen\u00e7as biof\u00edsicas somos lados de uma mesma moeda, um n\u00e3o existe sem o outro.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/guanabara.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/dsc_7311.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-490\" title=\"foto Flavio Peixoto\" src=\"http:\/\/guanabara.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/dsc_7311.jpg?w=300\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"198\" srcset=\"https:\/\/guanabara.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/dsc_7311.jpg 3080w, https:\/\/guanabara.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/dsc_7311-300x198.jpg 300w, https:\/\/guanabara.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/dsc_7311-1024x678.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Este ano me dei conta disso quando vi uma parede de homens enfileirados disputando um lugar para fotografar aquelas 200 mulheres reunidas para serem fotografadas. Fiquei pensando: se eles n\u00e3o estivessem ali, como n\u00f3s poder\u00edamos estar aqui?\u201d. Por mais legal que seja encontrar as amigas e fofocar, o que mais gosto na Invas\u00e3o Feminina \u00e9 porque n\u00e3o \u00e9 exclusivamente um evento de celebra\u00e7\u00e3o entre\/ou das mulheres, \u00e9 uma celebra\u00e7\u00e3o dos montanhistas, em um momento de reconhecimento da import\u00e2ncia da valoriza\u00e7\u00e3o do papel que as mulheres desempenham neste esporte e na vida de cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>E pra n\u00e3o dizer que n\u00e3o falei das flores, a Adriana Mello, como sempre organizou um evento impec\u00e1vel, que demostra justamente como informalidade e liberdade podem ser a base de uma grande festa e de um grande processo de mudan\u00e7a. Certamente ela \u00e9 quem melhor representa este esp\u00edrito que mencionei acima. E por isso, uma gratid\u00e3o imensa pelo seu empenho em fazer este evento todos os anos.<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em><strong>Elizete Ign\u00e1cio<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\">**********<\/p>\n<p><strong>Muitas \u201cprimeiras\u201d para um dia s\u00f3<\/strong><\/p>\n<p>\u201cTe falar, que invas\u00e3o, hein?\u201d Vou lembrar dela por um bom tempo, pois na minha primeira escalada na invas\u00e3o feminina, completei a minha primeira via guiando, pela primeira vez com uma acompanhante que (ainda!) n\u00e3o guia (que por sinal era a minha primeira parceira no CBM) e, como brinde, paguei a minha primeira queda de guia. Uhu! Pior que ela n\u00e3o foi nada espetacular e mesmo assim me deixou toda arranhada. E nem d\u00e1 pra passar um batom na hist\u00f3ria e complement\u00e1-la com alguns detalhezinhos selvagens para tirar onda na quinta &#8211; todo mundo viu! Mas fazer o qu\u00ea? Valeu! Porque meninas, escalar \u00e9 muito bom. Melhor ainda em boa companhia, seja homem, mulher, ou aquela lagartixa b\u00e1sica que passa pela gente com um sorriso sacana dizendo \u201ce a\u00ed, man\u00e9, t\u00e1 passando perrengue por qu\u00ea?!\u201d.<\/p>\n<p>A minha parceira foi excelente e a estrutura incompar\u00e1vel. Tha\u00eds levou o kit de primeiros socorros da Fl\u00e1via (o meu tinha ficado com Alfa) para consertar minimamente o joelho. A In\u00eas deixou uma parada para gente fugir do engarrafamento (quatro cordadas numa via de dois estic\u00f5es, fazer o qu\u00ea, ne?). Mas o mais engra\u00e7ado foi a conversa com a Monique que estava guiando a Fl\u00e1via, bem do lado, na Arco-\u00cdris. Monique: \u201cPuxa, ela falou que estava mal pra escalar e agora sobe t\u00e3o r\u00e1pido que nem d\u00e1 pra tirar a barriga da corda!\u201d. Julia: \u201cNem quero imaginar a bronca que vou levar da Alfa por ter ca\u00eddo na corda dela.\u201d Monique: \u201cEsquenta n\u00e3o, nem foi fator 2.ahahahaha!\u201d.<\/p>\n<p>Enfim, gente, adorei o dia: chegar cedo na Urca, encontrar amigos que n\u00e3o vejo faz tempo. Ver a galera do novo CBM chegando para o primeiro campo escola com escalada. Subir (depois de meses sem poder chegar perto de uma pedra), cair, passar o susto e ver que n\u00e3o tem nada demais, e a\u00ed subir logo de novo. Chegar na gruta na maior paz e ainda &#8211; eis outra primeira vez &#8211; fazer a trilha pro cume (valeu In\u00eas). Como brinde demos uma visitinha na face norte para prestigiar os parceiros que estavam \u201ctrabalhando\u201d e apoiar os novatos que est\u00e3o na mesma que a gente, quando h\u00e1 um ano atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Na descida ainda encontramos com Dani e Carlos que haviam acabado de fazer o cost\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em><strong>Julia Stadler<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:center;\">**********<\/p>\n<p><strong>Kmon, Mulherada<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/guanabara.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/dsc_7188.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-491\" title=\"foto Carlos Cooper\" src=\"http:\/\/guanabara.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/dsc_7188.jpg?w=300\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"198\" srcset=\"https:\/\/guanabara.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/dsc_7188.jpg 4928w, https:\/\/guanabara.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/dsc_7188-300x198.jpg 300w, https:\/\/guanabara.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/dsc_7188-1024x678.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Mesmo com essa alegria de ver a invas\u00e3o feminina crescendo, acreditamos que vale um apelo pol\u00edtico: \u201cMeninas, cad\u00ea n\u00f3s ao longo do ano? Cad\u00ea as cordadas naturalmente femininas?\u201d \u00c9 dif\u00edcil acreditar que com tanta mulher no clube passamos perrengue para fechar as cordadas na invas\u00e3o. A gente come\u00e7ou a guiar faz pouco tempo, mas estamos treinando a mil para ganhar um convite pro CAE.<\/p>\n<p>Inclusive acabamos de voltar da Fon-Fon no Babil\u00f4nia. A nossa primeira cordada feminina de 3!! In\u00eas guiou Alfacinha e Julia. Foi excelente. Pela primeira vez a In\u00eas guiou e deu seguran\u00e7a com corda dupla. Alfa deu uma aula pra gente, dando dicas para podermos melhorar a nossa escalada e ampliar a no\u00e7\u00e3o de como ler a via. E no final, como j\u00e1 estava bem tarde, garantiu que mesmo no escuro o rapel n\u00e3o se tornasse perrengue. Descemos com a lanterninha no capacete, sem sequer enxergar o grampo. De novo no ch\u00e3o, a correria foi para chegar na hora \u00e0 portaria do bondinho, que tamb\u00e9m conseguimos. Ainda rolou um papo em alem\u00e3o com o rapaz que trabalha l\u00e1 e viveu cinco anos na Alemanha. Enfim, s\u00f3 d\u00e1 pra acrescentar que a escalada foi 10!<\/p>\n<p>Meninas, um conselho: \u201cn\u00e3o d\u00e1 pra reclamar que escalar \u00e9 dif\u00edcil quando ficamos meses sem treinar\u201d. Como a Alfa falou, bem na segunda parada, \u201ca atividade f\u00edsica que melhor te prepara para escalar \u00e9 a pr\u00f3pria escalada\u201d! Julia ficou quatro meses sem tocar na pedra, queria morrer no segundo grampo, fugiu do 5\u00b0grau, mas fez a variante de 4\u00b0. \u00c9 isso, voltar \u00e9 fogo, mas daqui a pouco passa&#8230;<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, mui\u00e9, vamos escalar? Vamos ralar os joelhos sem medo de ficar com as pernas feias. A invas\u00e3o feminina acabou e n\u00e3o vamos deixar outro ano passar pra encontrar-nos na pedra!<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em><strong>Julia Stadler e In\u00eas<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por diversas raz\u00f5es tenho andado longe do Guanabara, mas para mim, quando chega a Invas\u00e3o Feminina \u00e9 hora de juntar a mulherada e seguir para a pedra. E assim fizemos. 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