Bike Tour da Holanda À Bélgica

Este ano eu decidi que faria uma viagem diferente. Tive que ir a trabalho para a Europa e aproveitei para dar uma esticada de uma semana e fazer uma nova excursão. Há anos venho alimentando a vontade de fazer uma viagem de bicicleta e decidi que esse seria o momento. Era início do verão na Europa, 24 de junho, o que me pareceu a estação ideal para fazer uma excursão ao ar livre. Sentei ao computador e após uma pesquisa na internet por sites de bike tours, achei a viagem perfeita para mim: um tour de bicicleta de uma semana de Amsterdã até Bruges, no coração da Bélgica. Essas duas cidades maravilhosas sempre estiveram no topo da minha lista de lugares a visitar, e eu fiquei muito empolgada diante da ideia de conhecê-las de um jeito diferente.

Capital da Holanda, Amsterdã é uma cidade incrível que fica abaixo do nível do mar. Seus 165 canais cortam a cidade fazendo o papel de avenidas. Os meios de transporte favoritos são a bicicleta e o barco. Lá é possível conhecer a cidade inteira fazendo um passeio de barco pelos canais, que é simplesmente imperdível. Nessa cidade jovem e liberal é possível encontrar desde deliciosos queijos, uma abundância de tulipas e museus de arte impressionantes (ou impressionistas…),  até o consumo tolerado de maconha e haxixe, casamento homossexual e prostituição legalizada (lá as prostitutas se expõem em vitrines de lojas no famoso Distrito da Luz Vermelha). Este era o ponto de partida do meu bike tour pela Holanda até a Bélgica.

Cheguei em Amsterdã um dia antes para conhecer a cidade. Ao sair do avião fiquei impressionada com a temperatura. O céu estava azul e fazia 16 graus! Esses holandeses não sabem o que é verão? Depois de passear pela cidade, dei um pulo na mega store da Decathlon para me abastecer de artigos esportivos de qualidade e ótimo preço.

Às 13h do dia 25 de junho entrei no barco-hotel, que esperava o grupo do tour atracado no porto de Amsterdã. Logo fiz amizade com uma russa chamada Katya, que virou minha companheira de viagem. O grupo de 11 pessoas, todos muito simpáticos, era composto por alemães, holandeses, uma russa e uma brasileira (eu, é claro). O “barge”, como é chamado o nosso barco, é uma espécie de barco chato próprio para navegar pelos estreitos canais dos Países Baixos.

O esquema do tour é o seguinte: enquanto nós pedalávamos durante o dia pelos diques holandeses, o barco seguia seu rumo pelos canais e nos esperava no destino final daquele dia. Após um longo dia de pedalada por uma cidade diferente, o grupo retornava à noite para o barco-hotel, onde o jantar nos esperava após um banho revigorante. A estrutura é “nota 10”. Cada passageiro tinha sua cabine, sua própria bicicleta e uma bolsa de piquenique que era reabastecida a cada manhã. No dia seguinte, às vezes acordávamos em um novo destino, e durante o café da manhã, o guia nos “briefava” o roteiro daquela jornada.

Enquanto as bicicletas eram retiradas no deck do barco por um pequeno guindaste, o guia começou o discurso. “Como hoje é o primeiro dia, faremos uma pedalada mais curta até uma vila chamada Breukeleb, para acostumar o corpo à nova rotina. Visitaremos uma fazenda tradicional de queijos holandeses, e depois iremos para uma cidade fortificada chamada Vianen. Aproveitem, pois amanhã pedalaremos 50km até os famosos moinhos de Kinderdijk.” Sempre tive curiosidade de conhecer os moinhos mais famosos dos Países Baixos, patrimônio cultural da Unesco. Além de geradores de energia, os moinhos eram usados pelos holandeses para bombear a água dos canais sobre os diques para evitar que a terra se inundasse e para permitir que fosse usada para agricultura.

No terceiro dia pedalamos 35km de Willemstad, uma linda cidade fortificada, até Tholen. Passamos por perfeitas plantações de cebola, milho, trigo, coloridos campos de tulipas e pastos com enormes “vaquinhas” holandesas. Verdadeiras fábricas de leite, aquelas eram as maiores úberes que eu havia visto! Outra cena impressionante eram os rebanhos de ovelhas, cobertas com uma grossa camada de lã branquinha, prontas para a tosquia. Como a primavera já tinha chegado ao fim, as cegonhas já estavam se aposentando em seus enormes ninhos nos telhados das casas. Era muito inspirador e relaxante pedalar naquela paisagem de pintura “Van Goghiana”.

No quarto dia chegamos à fronteira da Holanda, passando por uma linda região de floresta chamada Kreekrakluis. Enquanto pedalávamos podíamos escutar os cucos nas árvores e ver coelhos e esquilos correndo livremente.  Após mais algumas horas voltamos à margem de um canal, com um tapete de pequenas flores azuis brotando do gramado ao lado da ciclovia.  Se o guia não tivesse avisado que já estávamos na Bélgica eu nem teria notado, pois não há nenhum sinal de fronteira.

O sol já estava começando a esquentar quando o guia acenou para uma parada, apontando para um bar belga ao lado da ciclovia. Para minha felicidade, o bar servia nada mais, nada menos do que chope Leffe em enormes taças de vidro! Aquilo parecida um sonho! Como eu estava feliz de chegar à Bélgica…

O quinto dia foi o mais animado. Já estava anoitecendo quando avistamos as luzes da Antuérpia, a segunda maior cidade da Bélgica, também conhecida como a cidade dos diamantes. O barco nos esperava atracado no enorme porto no Rio Schelde. Rapidamente eu e minha amiga russa tomamos banho, jantamos e partimos para explorar a nossa primeira noite belga. Visitamos a cidade histórica e vimos a catedral que continha pinturas de Rubens, que ali viveu. A Katya havia lido na internet sobre um bar na Antuérpia chamado “Kulminator” que servia mais de 500 tipos de cerveja e estava ansiosa por conhecer. Eu, é claro, fui na cola dela, certa de que a diversão estava garantida. Dirk, o dono do bar, um senhor que é a cara do Einstein, nos serviu pessoalmente trazendo as suas cervejas favoritas. Deus, Orval, Delirium Tremens, Chimay, Trappistes Rochefort, Westmalle Duvel, Geuze… até finalizar com a rara Kulminator. Aquela foi de longe a noite mais animada da viagem!

Ainda bem que no dia seguinte só tínhamos que pedalar 35km até Ghent, uma cidade universitária, viva e rica conhecida como a Pérola de Flandres. Ghent é a terceira maior cidade da Bélgica e tem um belo centro histórico com uma enorme catedral gótica, castelo, campanário e câmara municipal. Lá provamos uma cerveja diferente chamada kriek feita com cerveja lambic e cerejas. Também nos esbaldamos com deliciosos chocolates belgas e waffles com sorvete. Por sorte eu estava pedalando há dias, então pude comer sem culpa!

No sétimo e último dia chegamos pedalando em Bruges, a cidade mais linda da Bélgica. Entrar em Bruges é como voltar no tempo para a idade média, é como entrar num conto de fadas! Após um breve passeio de bicicleta pelo lindo centro histórico, patrimônio da humanidade desde 2000, estacionamos as bikes e fizemos um passeio de barco pelos charmosos canais da “Veneza do Norte”. Depois, brindamos o fim do tour com uma cerveja local – literalmente divina – feita nas abadias de Bruges.

Naquela noite de 02 de julho eu tinha que voltar para Amsterdã para pegar o vôo de volta ao Rio. A viagem de trem levou apenas 4 horas. E eu havia levado 7 dias para chegar em Bruges de Amsterdã… Mas posso garantir que foi uma viagem muito gostosa, rica e inesquecível. Apesar dos percursos diários de pedalada o ritmo era tranqüilo e o clima era bem agradável. Adorei conhecer lugares de bike e certamente farei outro tour como esse.

Nicole Ingouville begin_of_the_skype_highlighting     end_of_the_skype_highlighting

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