Proibição x Recomendação – O nó da questão

No sábado (25/2) organizei uma excursão ao PNSO, para um rapel na cachoeira Véu da Noiva. Éramos 8 (Eu, Flavinha, Eliel, Dani, Gabriel, Bacellar, Thais e Leonardo). Chegando à portaria do parque fui informado de que estava proibida a prática de rapel na cachoeira, devido a uma colmeia de abelhas que se havia instalado no local. Naturalmente o desapontamento foi geral, mas, devido aos motivos, até aceitamos.

O guarda parque sugeriu, então, que fizéssemos a atividade na Gruta Presidente, o que não gerou muito entusiasmo. Assim, sem grandes opções e, com parte do grupo já se arrumando para voltar para Petrópolis, comecei a conversar com o GP e “assuntei” sobre a real situação e a necessidade da proibição. Conversa vai, conversa vem, soube que a colméia existente no local havia sido retirada fazia algum tempo, mas que as abelhinhas, talvez com saudades do barulho da cachoeira ao lado, estavam voltando e refazendo a colmeia.

Perguntei ao GP do real perigo e ele, mui sinceramente, minimizou o fato. Ponderei que éramos excursionistas experientes e que além do domínio das técnicas de escalada, usávamos o mais seguro de todos os equipamentos – o bom senso. Além de termos esse discernimento, estávamos assinando um termo de responsabilidade isentando o Parque de qualquer responsabilidade civil, em caso de acidente. Isso me parecia redundante e, me pareceu que a ele também, mas, ordens são ordens. Esse GP é um sujeito muito acessível e gosta de conversar com os turistas/montanhistas, criando um clima de amizade e camaradagem naquele pequeno pedaço estéril de burocracia. Assim, assinei o termo de responsabilidade e fomos para onde queríamos.

Caminhada tranquila e rápida até a cachoeira. No local, constatamos a existência de uma pequena colmeia localizada logo abaixo do platozão do rappel negativo. Não havia nenhuma abelha na parte de baixo. Então, eu, Flavinha e o Eliel subimos com o equipo para fazer uma inspeção do local. O local estava limpo e sem sinal das malvadas e perigosíssimas abelhas africanas. Após uma rápida deliberação, decidi que iria descer pela cachoeira e, se fosse tudo bem, liberaria o rappel para quem quisesse ir.

Dito e feito. Joguei minha corda de 70 m lá pra baixo e fiz um backup com uma corda de 50m,   que o Eliel havia levado. Coloquei 3 prussiks no baudrier e…. fui. O caudal do rio estava perfeito, com uma corrente que não me deixava numa zona de conforto e nem numa de horror. Entrei no rio e comecei a descer, vendo o pessoal lá embaixo, acenando e tirando fotos.

Segundos antes de descer a primeira parede, bem na pontinha, tive uma visão que me deixou gelado: – um lindo e garboso nó, um metro abaixo de onde eu me encontrava. Naquela hora dei graças a Deus por ter decidido descer com a corda de backup do Eliel. Como estava já dentro da cachoeira, e naquela situação, com algum esforço, consegui fazer o Eliel entender o que eu queria que ele fizesse. O backup foi retesado até que o meu peso não me puxasse para baixo e, assim, iniciei os trabalhos de desfazer aquele lindo nó abaixo de mim. Usei tudo que tinha, inclusive os dentes. Ao fim de alguns quilométricos minutos, liberei a corda e por ela deslizei suavemente até a agua. Alívio geral, palmas e uhuss. Muito bem, gente, o próximo…. muito bem, gente, o próximo…..

A Flavinha que já estava lá em cima junto do Eliel, resolveu descer. E o fez lindamente, sem nenhum problema. Flavinha na água, veio a pergunta: – muito bem, gente, o próximo….. N-i-n-g-u-é-m…. O frio foi a principal justificativa. Tornei a subir e encontrei o Eliel com todo o equipo recolhido. Segundo ele, os sinais que fizemos lá de baixo foi interpretado como fim do serviço. Esperto esse menino….

Nananinanão, pode armar a segurança que eu vou descer de novo e prontamente a Dani completou – e eu também. Me equipei e desci e, passados alguns minutos desceu a….(o) Eliel… ???? “Pô, Eliel, cadê a Dani?” Vocês acreditam que o Zérruela não deixou a mulher descer??? Depois disso, como castigo, teve que subir de novo e liberar o equipo. Em uma hora já estávamos na portaria onde demos baixa no termo e fomos para a merecida comemoração.

por Luiz Alberto (tio Luiz)

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